Por que existem várias técnicas?

A radioterapia utiliza radiação para tratar uma região específica do corpo. Ao planejar o tratamento, a equipe precisa decidir onde a radiação será aplicada, como distribuir a dose e como proteger os tecidos saudáveis ao redor.

As siglas descrevem recursos diferentes: algumas indicam como o feixe de radiação é direcionado ou modulado (3D, IMRT e VMAT); outras explicam como a posição é conferida (IGRT). Elas podem ser usadas em conjunto e não representam, por si só, graus de gravidade da doença.

3D conformada

Feixes planejados a partir de imagens para alcançar o alvo.

IMRT

A intensidade varia dentro do feixe para moldar melhor a dose.

VMAT

O aparelho gira ao redor do paciente enquanto a dose é ajustada.

Ilustrações esquemáticas originais, apenas para explicar o princípio de cada técnica; não representam uma distribuição real de dose nem uma comparação de resultados clínicos.

Radioterapia tridimensional conformada (3D)

A equipe utiliza imagens, geralmente de tomografia computadorizada, para delimitar a área a tratar e identificar estruturas que precisam ser protegidas. Em seguida, organiza os feixes de radiação em diferentes direções para que eles se adaptem ao formato do alvo.

A técnica 3D pode oferecer um tratamento eficaz em diversas situações. Ser uma técnica mais antiga não significa que seja inadequada: sua indicação depende da localização e do formato da área tratada.

IMRT: radioterapia de intensidade modulada

Na IMRT, a intensidade da radiação pode variar dentro de cada feixe. Isso ajuda a produzir uma distribuição de dose mais ajustada, particularmente quando o alvo tem um formato complexo ou está próximo de estruturas delicadas.

Em alguns tratamentos de cabeça e pescoço, por exemplo, esse recurso pode ajudar a reduzir a dose recebida por determinadas glândulas salivares. Porém, IMRT não é obrigatoriamente superior à 3D em todos os casos; a equipe avalia se a diferença no plano traz benefício relevante para a pessoa.

VMAT: uma forma de IMRT com o aparelho em rotação

Na VMAT, o equipamento gira ao redor do paciente e ajusta continuamente a quantidade e o formato da radiação entregue. É uma maneira de realizar tratamento com intensidade modulada, e não uma modalidade totalmente separada da IMRT.

Dependendo do caso e do equipamento, a VMAT pode tornar a aplicação mais rápida. A qualidade do tratamento, entretanto, deve ser avaliada pelo plano de dose e pela segurança, não apenas pelo tempo da sessão.

IGRT: radioterapia guiada por imagem

Mesmo com uma posição cuidadosamente preparada, podem existir pequenas variações de um dia para outro. A IGRT utiliza imagens feitas na sala de tratamento para conferir a posição do paciente e, conforme o equipamento e a situação, verificar estruturas internas antes ou durante a aplicação.

IGRT não substitui 3D, IMRT ou VMAT. É um recurso de verificação que pode acompanhar essas técnicas e contribuir para a precisão do tratamento.

E quando o tumor se movimenta com a respiração?

Alguns órgãos se deslocam quando respiramos. Em situações selecionadas, a equipe pode usar tomografia que avalia o movimento respiratório (4D), orientar pausas de respiração ou acompanhar a posição da superfície corporal durante a aplicação.

Esses recursos não são necessários para todos os pacientes. A escolha depende da região tratada, da técnica de radioterapia e do benefício esperado.

E a radiocirurgia, a SBRT e a braquiterapia?

Radiocirurgia e SBRT/SABR são tratamentos estereotáticos de alta precisão que podem administrar doses concentradas em poucas aplicações, quando a situação clínica permite. Como esse assunto já possui um guia próprio no site, você pode consultar radioterapia ablativa e radiocirurgia para saber mais.

Braquiterapia é diferente da radioterapia externa: utiliza uma fonte de radiação colocada temporária ou permanentemente dentro ou muito próxima da região a ser tratada. Pode ser indicada em situações específicas, inclusive em alguns tratamentos ginecológicos. Por envolver procedimentos e cuidados próprios, não é uma opção equivalente à radioterapia externa para todas as doenças.

Também existem tratamentos externos com feixes de elétrons, frequentemente considerados para alvos superficiais, como determinadas lesões de pele.

Como o médico escolhe a técnica?

Não existe uma técnica ideal para todas as pessoas. O médico especialista em radioterapia considera o diagnóstico, a região a tratar, os órgãos próximos, tratamentos anteriores e os objetivos do cuidado. A equipe de física médica e de planejamento participa da preparação e da verificação do plano.

O mais importante

O nome da tecnologia, isoladamente, não define a qualidade do tratamento. O essencial é que a técnica escolhida seja adequada ao seu caso, bem planejada e executada com segurança.

Perguntas que você pode fazer na consulta

  • Qual técnica está planejada para meu tratamento e por quê?
  • Que estruturas saudáveis precisam ser protegidas?
  • Será necessário algum recurso especial para conferir minha posição ou controlar a respiração?
  • O número de sessões é determinado por qual objetivo do tratamento?

Para entender o que acontece na tomografia de planejamento, visite também o guia antes de iniciar a radioterapia.

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