Em quais situações a radioterapia pode ser indicada?

A radioterapia pode ser utilizada como tratamento principal ou após cirurgia em tumores da boca, orofaringe, laringe, nasofaringe, hipofaringe, cavidade nasal, glândulas salivares e outras regiões da cabeça e pescoço. Em situações específicas, pode ser combinada à quimioterapia. A proposta varia conforme tipo de tumor, estágio e objetivos clínicos.

Como funciona o planejamento com máscara?

Em geral, a equipe confecciona uma máscara termoplástica personalizada para manter a cabeça e o pescoço estáveis. A tomografia de planejamento pode ser associada a ressonância magnética ou PET/CT, conforme a indicação. A máscara deve permitir respirar; se causar ansiedade ou desconforto, avise antes da sessão.

Por que a avaliação odontológica é tão importante?

Quando dentes, mandíbula ou glândulas salivares estarão próximos da área irradiada, a avaliação odontológica antes de começar é uma medida importante de prevenção. Podem ser recomendados tratamento de cáries, controle periodontal, higiene individualizada e flúor de maior concentração sob prescrição. A redução da saliva aumenta o risco de cáries e infecções.

Atenção com extrações dentárias

Depois de radioterapia que envolva os ossos da face ou mandíbula, extrações e cirurgias odontológicas devem ser discutidas com o médico especialista em radioterapia e com a equipe odontológica, devido ao risco de complicações, incluindo osteorradionecrose. Não significa que todos os procedimentos odontológicos estejam proibidos.

Mucosite: dor e feridas na boca e na garganta

A inflamação da mucosa pode causar ardência, aftas, úlceras e dor para mastigar ou engolir. Frequentemente aparece nas primeiras semanas de tratamento e pode aumentar ao longo das sessões. Higiene suave, medidas de conforto e controle da dor orientados pela equipe ajudam a reduzir o impacto. Informe cedo se estiver difícil ingerir alimentos ou líquidos.

Boca seca e alterações do paladar

A radiação pode reduzir a saliva e modificar o paladar. Essas alterações podem melhorar com o tempo, mas em alguns pacientes persistem. Pequenos goles de água, umidificação dos alimentos e alternativas de saliva artificial podem ajudar, sempre após orientação específica. Produtos ácidos e açucarados podem agravar desconforto ou risco dentário.

Deglutição, nutrição e perda de peso

Dificuldade para engolir (disfagia), dor ao engolir (odinofagia) e redução do apetite podem levar à perda de peso e desidratação. Nutricionista e fonoaudiólogo ajudam a adaptar textura, aporte calórico e exercícios de deglutição quando indicados. Algumas pessoas podem precisar temporariamente de sonda para alimentação; isso é avaliado individualmente.

Cuidados práticos durante o tratamento

  • Escove os dentes com escova macia e produtos orientados pela odontologia.
  • Não use enxaguantes com álcool ou soluções caseiras sem confirmar com sua equipe.
  • Comunique dor, placas brancas, febre, perda de peso ou dificuldade crescente para engolir.
  • Evite tabagismo e bebidas alcoólicas; peça apoio para cessação se necessário.
  • Faça os exercícios de mandíbula e deglutição apenas conforme prescrição da fonoaudiologia/fisioterapia.

O que observar depois?

Alguns efeitos melhoram em semanas, enquanto boca seca, rigidez mandibular, alterações da deglutição, mudanças da voz, linfedema ou efeitos sobre a tireoide podem exigir acompanhamento prolongado. Mantenha o seguimento com radioterapia, oncologia, odontologia e equipes de reabilitação, de acordo com o caso.

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