NOVAS EVIDÊNCIAS EM RADIOTERAPIA

Após a cirurgia de um câncer de glândula salivar, como decidir sobre a radioterapia?

Uma ferramenta baseada nas características do tumor e da cirurgia pode ajudar a estimar o risco de a doença voltar e apoiar uma decisão mais personalizada sobre o tratamento.

Pesquisa original internacional explicada em linguagem acessível para pacientes e familiares.

O que os pesquisadores investigaram?

O estudo, publicado em 2026 na revista Radiotherapy and Oncology, reuniu dados de 1.175 pacientes operados por câncer das glândulas salivares maiores — parótida, submandibular ou sublingual — em cinco centros do Canadá, Estados Unidos e Brasil. Com participação do médico Gustavo Nader Marta, os pesquisadores desenvolveram um nomograma, uma ferramenta que combina informações clínicas e do tumor para estimar a probabilidade de retorno do câncer na região operada ou nos linfonodos próximos em até cinco anos.

O que o estudo encontrou?

O modelo considera características como o tipo e a extensão do tumor, a presença de células cancerosas nas margens da cirurgia, a invasão de vasos e o comprometimento dos linfonodos. Também leva em conta informações sobre a radioterapia após a cirurgia. Em um exemplo estimado pelo modelo, o risco de recidiva local ou regional em cinco anos foi de 20% sem radioterapia e 11% com radioterapia. Esses valores são projeções para um conjunto de características, não uma previsão exata para cada pessoa.

O que isso pode mudar na prática?

A ferramenta pode tornar a conversa entre equipe médica e paciente mais objetiva. Em vez de considerar apenas um fator isolado, ela reúne várias informações para apoiar a avaliação de quando a radioterapia complementar pode ser mais importante. Também pode ajudar a discutir situações de menor risco, nas quais a necessidade de tratamento adicional deve ser ponderada individualmente, sempre à luz das diretrizes e do contexto clínico.

O que ainda precisamos considerar?

Trata-se de um estudo retrospectivo, baseado em pacientes tratados anteriormente, e não de um ensaio clínico que distribuiu os participantes aleatoriamente para receber ou não radioterapia. Portanto, a diferença estimada entre os cenários não comprova, por si só, que a radioterapia causou aquela redução do risco. O nomograma foi avaliado internamente, mas ainda precisa ser testado em grupos independentes de pacientes. A decisão de tratamento continua sendo individualizada.

Referência científica

Gau M, Su J, Huang SH, Alfaraj FA, Souied O, Mierzwa ML, et al. Refining adjuvant radiation therapy decision using a nomogram in major salivary gland carcinoma. Radiother Oncol. 2026;220:111528. doi:10.1016/j.radonc.2026.111528.

Informação educativa; não substitui a avaliação pela equipe médica.

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